| Nações indígenas do Acre e Sul do Amazonas participam de encontro histórico em Rio Branco "Nós podemos mostrar para o Brasil e para o mundo que é possível aos brancos e aos índios viver em harmonia. Afinal, nestes 500 anos os nossos irmãos índios foram os mais injustiçados". Com estas palavras, o governador Jorge Viana abriu ontem, 24, o I Encontro de Culturas Indígenas do Acre e do Sul do Amazonas. O encontro, que acontece no espaço do Restaurante Kaxinawa, conta com a participação de 14 nações indígenas e será encerrado na sexta-feira, 28. O Acre conta com uma população de aproximadamente 10 mil índios. Ontem, um dia após os festejo de 500 anos do Brasil, eles tiveram uma oportunidade para comemorar e discutirem os seus problemas. E foi o que fizeram. Com pinturas de festa, os índios fizeram ritual de pajelança, tocaram música, apresentaram seu artesanato e, aproveitando a chance, reivindicarão para que o governo do Estado continue desenvolvendo atividades que melhorem a vida dos índios acreanos, principalmente no tocante à demarcação de novas terras. O documento contendo as solicitações foi entregue a governador por uma índia de mais de 100 anos, conhecida como Dona Helena, da nação Kaxinawa. Dentre os vários discursos das lideranças indígenas, merece destaque o do pajé katukina André Macário, que agradeceu o empenho do governo do Estado para mudar a realidade das nações indígenas existentes no Acre. "Pedimos para que Deus ilumine o coração de Jorge Viana, uma vez que ele tem respeitado e trabalhado para manter a nossa cultura viva", pediu. Jorge Viana, por sua vez, lembrou que, ao adotar o nome de Governo da Floresta, a administração estadual demonstrou de que gosta da "nossa floresta e das pessoas que nela vivem". Por esta razão, frisou o governador, "o governo defende o desenvolvimento sustentável, valorizando a cultura das populações tradicionais e explorando os recursos naturais com a devida sabedoria". Segundo o governador, se hoje o Brasil é injusto, é porque não soube tratar os seus primeiros habitantes, em particular os índios. "Este é um sinal de que as coisas estão mudando no Acre e servirá para, de fato, mudar a história dos povos indígenas do Acre, finalizou o governador. Para tanto, iremos trabalhar para colocar a cultura indígena no seu devido lugar", garantiu Jorge Viana. Uma vasta programação Durante toda a semana, serão realizadas exposições e venda de artesanatos produzidos pelos índios, oficinas educativas e contações de histórias indígenas para alunos da rede estadual de ensino. Também serão realizadas outras atividades, como sessões de vídeos e palestras. Todas as noites, as etnias mostrarão ao público um pouco do folclore indígena local, por meio de música e dança. A feira de comidas típicas do Sebrae também será instalada no local. Ainda no período da noite, estão previstos espetáculos musicais com grupos regionais e um desfile de moda com mostra de camisetas com grafismo Kaxinawa e calçados ecológicos, produzidos com couro vegetal, tecidos indígenas e sola de borracha natural. O encontro será encerrado na sexta-feira, com um show da cantora e compositora Marlui Miranda. Nações participantes Ashaninka; Kaxinawa; Apurinã; Katukina; Jamamandi; Shanenawa; Yawanawa; Manshineri; Kulina; Jaminawa; Jaminawa Arara Poyanawa; Wukini; Arara.
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