Acre 2014: A copa pode ser aqui

 

Aníbal Diniz

11/6/07 - Alguém comentou há poucos dias que o Acre não estaria preparado para sediar jogos da copa do mundo de 2014, que, tudo indica, será realizada no Brasil. Calma! Uma coisa a cada vez. No presente momento, nenhuma das cidades brasileiras que concorre à vaga de sede está em condição, e feliz daquela que for escolhida como sede, porque vai receber grandes investimentos para se adequar às exigências do maior evento esportivo do planeta. Além de ter a economia fortalecida e grande impulso no comércio e no turismo, essas localidades serão beneficiadas com toda estrutura material construída. Esses espaços permanentes poderão ser convertidos em escolas, centros de convenções, arte e lazer, conjuntos habitacionais, hotéis, restaurantes e muito mais.

 

O governador Binho Marques, em sintonia com o prefeito Raimundo Angelim e demais poderes constituídos do Estado, demonstrou ousadia e visão de futuro ao elaborar um projeto consistente e apresentar nossa capital, Rio Branco, como candidata oficial à sede da copa 2014. Tanto que, para as dez ou doze localidades que serão escolhidas como sede, apenas 22 cidades, sendo quatro de São Paulo, se apresentaram como candidatas. As demais nem se habilitaram a entrar no páreo, algumas por opção e outras por não conseguirem produzir em tempo hábil a proposta técnica exigida pelo caderno de encargos da Federação Internacional de Futebol – FIFA.

Só o fato de Rio Branco fazer parte deste seleto grupo de cidades candidatas à sede já é motivo de orgulho, porque, de uma forma ou de outra, sempre que este assunto estiver em debate, dentro e fora do Brasil, o Acre obrigatoriamente terá que ser considerado.

 

Toda caminhada, por mais longa que seja, sempre começa pelo primeiro passo. Podemos afirmar com convicção que a cidade de Rio Branco, fruto do esforço conjugado do prefeito Raimundo Angelim e do governador Binho Marques, iniciou da melhor maneira possível sua trajetória rumo à condição de sede da copa 2014, apresentando uma proposta técnica da melhor qualidade à CBF e à comissão encarregada pela elaboração da proposta que o Brasil apresentará à FIFA até o próximo 31 de julho.

Rio Branco está entre as capitais brasileiras que receberam a visita e o incentivo do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para que apresentassem suas candidaturas. Num programa do canal Sport TV, com a presença de Armando Nogueira e vários outros renomados jornalistas esportivos brasileiros, Ricardo Teixeira não poupou elogios ao Acre, dizendo que estava impressionado com tudo o que havia visto em nosso Estado e revelando que o primeiro governador a lhe procurar pessoalmente para manifestar interesse em sediar a copa 2014 foi justamente Binho Marques.

 

Assim que terminou o prazo para a apresentação das propostas, em 31 de maio, o portal da Globo na Internet publicou extensa reportagem com as potencialidades e deficiências de cada uma das 22 candidatas. Todas reúnem fortalezas e fragilidades, e caberá ao comitê executivo da FIFA, auxiliado pelo comitê local comandado pela CBF, a decisão final sobre quem ficará dentro e quem ficará fora do seleto grupo de dez ou doze cidades sede. O fato mais relevante para nós acreanos é que Rio Branco é tão candidata quanto qualquer outra cidade que tenha apresentado sua proposta e tem grande potencial para estar entre as escolhidas.

 

Primeiro, porque Rio Branco é bonita, agradável, acolhedora, capital de um estado amazônico que mantém 90% de sua cobertura florestal, o que se constitui num ativo ambiental invejável no momento histórico crucial para a vida no planeta com toda ameaça que o aquecimento global representa; segundo, porque o Acre localiza-se em posição geográfica estratégica para a concretização da tão sonhada integração Brasil, Peru e Bolívia; terceiro, pela experiência madura de um governo local atento aos grandes desafios da humanidade, que é a melhoria da qualidade de vida para a atual e as futuras gerações. Um governo que nos últimos oito anos vem transformando profundamente a realidade do Estado e apresenta todas as garantias de que as exigências da FIFA serão cumpridas integralmente, conforme compromisso firmado, tanto pelo governador e o prefeito, quanto pelos presidentes da Assembléia Legislativa e do Tribunal de Justiça.

 

Sem falar na Arena da Floresta, projetada com todas as dimensões recomendadas pela FIFA, que além de boa localização dispõe de espaço no seu entorno para ser transformado num dos melhores estádios do Brasil, o que certamente terá algum peso na hora da decisão.

Quanto a nós, cidadãos acreanos, formadores de opinião e autoridades, de que forma podemos ajudar para que este projeto dê certo? Antes de tudo, respeitando-o como um projeto sério. Não se trata de uma aventura desvairada e nem de mera jogada de marketing. Trata-se de um projeto concebido e desenvolvido para ser vencedor, que faz parte de um esforço que exige a participação de todos.

 

Além do mais, o Acre e o povo acreano merecem maior reconhecimento por sua história, pelo passado e presente de lutas, e pelo seu projeto de desenvolvimento sustentável pautado na florestania, que se constitui em paradigma tanto para a Amazônia, quanto para o Brasil e o mundo, que estará ainda mais atento às questões ambientais em 2014.

 

Se algum profeta de fatos consumados achar que o Acre está fora, é bom lembrar que a história acontece graças aos que vêem o impossível mais adiante. Se não há sonho, não há grandes realizações. É preciso inverter a lógica de Tomé, que só acredita depois de ver o milagre. Temos que crer, sonhar com as coisas impossíveis, para que elas se tornem possíveis e aconteçam.

Se depender do desejo e da disposição de luta dos homens e mulheres do Acre, com o esforço já demonstrado por nossas autoridades, a Copa 2014 também acontecerá no Acre.

 

Aníbal Diniz, 44 anos, é jornalista, formado em História pela UFAC

 

 

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