Durante o III Encontro de Culturas Indígenas do Estado do Acre e Sul do Amazonas o tema a ser debatido pelas 19 etnias da região será a terra. Os índios brasileiros têm razões de sobra para tratar desse assunto insistentemente até que algo seja feito para minimizar as injustiças cometidas contra eles desde que Cabral aportou nas Terras de Vera Cruz, em 21 de abril de 1500. Estima-se que naquela época havia no Brasil mais de cinco milhões de índios. Hoje eles são apenas 350 mil.

Não bastasse o genocídio de muitos povos, as terras que antes pertenciam aos índios foram sendo cada vez mais ocupadas pelo homem branco. A sociedade brasileira tem para com eles uma dívida de quinhentos anos, já que quase todos sofreram com a descaracterização de seus costumes, com a perda de sua dignidade e com a usurpação de suas riquezas.

O debate a ser travado no Kaxinawá, porém, não vai se transformar em anúncio de ódio contra os não-índios. O III Encontro de Culturas Indígenas manterá a proposta de ser uma confraternização entre aqueles que aprenderam, pela dor, a reivindicar seus direitos através das danças, das cantorias, do artesanato e de histórias sobre a floresta.

A vinda dessas etnias para a capital dá à sociedade acreana a possibilidade de uma nova visão sobre as populações indígenas. Pois essas populações precisam retomar com urgência o processo de reconstrução e revalorização de suas ricas tradições.

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