|
Três
vezes por
semana, o
professor de
educação física
Francisco Alexandre
de Almeida, o "Xandão",
29 anos, dá aulas de capoeira atrás das grades. Formado pela Ufac (Universidade Federal do Acre), Xandão aceitou o desafio de ensinar o esporte a adolescentes infratores da Pousada do Menor. Ele é responsável por uma das cinco oficinas do Projeto Arte Livre, criado pela Secretaria de Trabalho e Ação Social (Sectas) em

parceria com a Fundação Elias Mansour (FEM). As menores da Casa Mocinha Magalhães também estão tendo aulas de capoeira, artesanato, dança, artes plásticas e teatro.
Dos 45 internos da Pousada do Menor, aproximadamente 30 freqüentam as aulas de capoeira. Xandão ressalta a importância do esporte na mudança comportamental que se verificou nos últimos meses. "Eles deixaram de brigar tanto depois que a gente começou a ministrar as aulas", garante o instrutor.
Funcionária da Pousada, Karoene Maria Pinheiro, 38, confirma as palavras do mestre. Há um ano e meio trabalhando no local, ela afirma que os menores, ultimamente, "andam mais calmos". "Eles adoram a capoeira", diz Karoene.
A julgar pelo exemplo de Daniel, 15, o esporte tem mesmo ajudado em uma provável mudança de vida. Acusado de furto, Daniel foi solto após dois meses de detenção, mas não abandonou a oficina. Três vezes por semana ele retorna à Pousada para participar das aulas de capoeira. "Ainda vou ser mestre", garante.
Os abadás usados pelos internos foram fornecidos pela Sectas. Os salários dos cinco instrutores - cerca de 500 reais por mês - estão sendo pagos pela FEM. Para conquistar o respeito dos adolescentes, Xandão criou junto com eles as próprias regras do grupo. "Quem não respeita essas regras está sujeito a pequenas punições", diz ele.
Nos dias de aula, o som do berimbau ecoa nos corredores da Pousada do Menor. A música, pelo menos para o visitante, atenua o efeito negativo das grades, sempre trancadas e vigiadas pelo carcereiro. No início, funcionários e policiais que fazem plantão no local torceram o nariz para a idéia, achando que a capoeira viraria uma arma nas mãos - e pés - dos adolescentes. O preconceito foi superado com a ajuda dos próprios internos, que provaram não ter interesse em usar contra eles o que aprenderam.
Animação e calma com as aulas de capoeira
|
A transformação tem uma receita simples, segundo Danielle da Silva Figueiredo, 19, a "Cerejinha", como faz questão de ser conhecida. "A capoeira muda a cabeça das pessoas", ela argumenta. Instrutora do esporte na Casa Mocinha Magalhês desde o mês de março, quando o projeto começou, Danielle acredita que a agressividade de suas alunas diminuiu com as aulas de capoeira.
Com dez anos de prática no currículo e duas vitórias importantes nos Jogos Estudantis Brasileiros, Danielle teme pela descontinuidade do projeto. "Essas meninas não podem ficar sem atividade esportiva", diz ela.
O chefe de cursos e oficinas do Departamento de Formação e Difusão da FEM, Sebastião Gama Chaves, 28, afirma que o governo do Estado vai manter as oficinas pelos próximos dois anos. Os futuros campeões agradecem.
|
|